*Por Marcelo Martini
O debate de estratégias e políticas oficiais para redução de emissões continua como uma prioridade para o Brasil, considerando, principalmente, que 88% frota nacional será composta por veículos a combustão interna em 2040, segundo projeções do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). No caso dos carros com motores a diesel, evoluções nos sistemas de pós-tratamento, como o Filtro de Partículas Diesel (DPF), foram desenvolvidas para esse propósito e exigem cuidados adequados com relação ao uso de lubrificantes para manutenção dos motores.
Os motores a diesel evoluíram significativamente nos últimos anos, impulsionados, principalmente, pelos pilares de controle de emissões mais rigorosos e pela busca contínua por maior eficiência e menor consumo.
O DPF é uma das principais ferramentas que contribuem para reduzir a poluição de veículos a diesel e tem como função principal reter o material particulado gerado pela queima do combustível, reduzindo as emissões de poluentes e o impacto ambiental do veículo. Nesse sentido, os óleos lubrificantes do motor desempenham um papel fundamental para não prejudicar o funcionamento correto desse filtro.
Lubrificantes desenvolvidos para veículos a diesel previnem danos ao DPF
O uso de produtos inadequados em veículos a diesel equipados com DPF pode causar entupimento e danos irreversíveis. Os principais problemas que podem ocorrer são a obstrução do filtro, avarias ao equipamento, perda de potência, consumo excessivo de combustível, além de falha na regeneração do DPF.
Lubrificantes que não atendem às especificações para veículos com DPF possuem componentes na sua formulação que, durante a combustão, geram resíduos sólidos e particulados. Esses resíduos metálicos não podem ser queimados durante o processo de regeneração do filtro e se acumulam, levando ao entupimento da peça.
Como consequência, o acúmulo excessivo de cinzas metálicas pode danificar permanentemente a estrutura do DPF, restringindo o fluxo dos gases de escape, o que compromete o desempenho do filtro. Esse entupimento resulta em menor eficiência de filtragem, perda de potência e aumento do consumo de combustível necessário para a regeneração. Esses fatores reduzem a vida útil da peça e tornam necessária sua substituição, acarretando custos extras e elevados de manutenção.
Para evitar esses problemas, é necessário o uso de lubrificantes Low SAPS, formulados com menor teor de enxofre, fósforo e cinzas sulfatadas, e que atendam às exigências das montadoras dos veículos. Manutenção em dia, trocas nos períodos recomendados e combustível de boa qualidade também ajudam a manter o DPF com funcionamento correto por mais tempo.
Controle combinado de emissões com o ARLA 32
O desenvolvimento do DPF para motores a diesel representou um avanço no controle de emissão de poluentes. Além disso, o uso desse componente combinado a outros sistemas de pós-tratamento, como o de Redução Catalítica Seletiva (SCR), potencializa a redução de emissões.
O catalisador SCR requer o uso do fluido conhecido como Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), uma solução controlada de água e ureia. O ARLA 32 reage com os poluentes gerados, como os óxidos de nitrogênio, e contribui para a menor emissão do veículo, já que converte esses poluentes em nitrogênio e água. Dessa forma, o SCR e o DPF, somados a outras tecnologias embarcadas de controle de emissão e melhoria da eficiência de combustão, permitem o cumprimento de normas de emissões cada vez mais rigorosas, como as presentes na Proconve P8 e na Euro VI.
Com esse cenário, a indústria de lubrificantes automotivos tem se adaptado às normas ambientais e segue em busca por soluções mais sustentáveis para contribuir com as próximas gerações de motores a combustão.
Por meio de estratégias como logística reversa, desenvolvimento de produtos biodegradáveis, de base renovável e otimização da eficiência energética, as empresas do setor, que produzirão 47,22 bilhões de litros do produto até 2026, segundo relatório da Mordor Intelligence, se alinham às metas de sustentabilidade para os próximos anos na busca por um futuro mais limpo.
*Marcelo Martini é Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS, maior fabricante independente de lubrificantes e produtos relacionados do mundo.
© 2026 SHOPCAR - Sua Referência em Veículos. Todos os direitos reservados